Ar medicinal
Como se dimensiona a central de ar medicinal de um hospital?
Que dados determinam a capacidade da central de ar medicinal de um hospital, desde os caudais das unidades terminais e a simultaneidade até aos ventiladores e reservatórios?
Resposta curta
Segundo o HTM 02-01 (2026), o guia da NHS England, uma central de ar medicinal é, na maioria dos casos, dimensionada para a soma dos caudais simultâneos dos serviços que abastece, cada um calculado a partir de um caudal de projeto por unidade terminal e de uma fórmula de simultaneidade; pelo menos dois compressores cobrem depois 100% desse caudal de projeto.
No HTM 02-01, o processo de projeto informado (IDP) determina se um local precisa sequer de ar medicinal, e os aspetos de caudal que o guia indica para o projeto do sistema de distribuição da rede incluem o caudal típico necessário em cada unidade terminal, o número provável de unidades terminais em uso a cada momento, o caudal total de cada enfermaria ou serviço como soma dos seus caudais simultâneos, o caudal nos ramais principais e nas colunas montantes como soma desses caudais, e o caudal necessário na central.
Passo 1: caudais de projeto e simultaneidade
A Tabela 7 do HTM 02-01 dá ao ar medicinal a 400 kPa um caudal de projeto por unidade terminal e uma fórmula de caudal simultâneo Q para cada serviço, em que n é o número de camas, postos de tratamento ou salas em uso, e não o número de unidades terminais. Exemplos da tabela:
| Serviço | Caudal de projeto por unidade terminal | Caudal simultâneo Q (L/min) |
|---|---|---|
| Serviço de urgência (reanimação, tratamentos maiores e menores, por posto de maca) | 40 L/min | Q = 40 + [(n − 1)5] |
| Salas de operações (nT = número de salas) | 40 L/min | Q = 40 + [(nT − 1)10] |
| Unidades de cuidados críticos, incluindo enfermarias de recurso | 80 L/min | Q = 80 + [(n − 1)40] |
| Todos os outros serviços, agrupados | 40 L/min | Q = {40 + [(n − 1)2]}/2 |
Uma das principais utilizações do ar medicinal são os ventiladores dos doentes. O HTM 02-01 refere que os ventiladores pneumáticos podem usar até 80 L/min de ar livre em contínuo, que os ventiladores de anestesia podem precisar de caudais de pico até 80 L/min e de caudais médios de 20 L/min, e que o CPAP, o BiPAP e a VNI em cuidados críticos funcionam normalmente até 80 L/min. Os misturadores de gases anestésicos, os humidificadores e os nebulizadores não devem ultrapassar 10 L/min. O serviço de equipamentos médicos deve indicar as características dos ventiladores usados no local.
Passo 2: compressores e reservatórios
O HTM 02-01 pede pelo menos dois compressores cuja capacidade total forneça 100% do caudal de projeto do sistema, e a sua Tabela 16 dimensiona cada compressor conforme a configuração, por exemplo 100% do caudal de projeto cada um numa central de ar medicinal duplex e 50% cada um numa triplex (ver de quantos compressores precisa uma central de ar medicinal). Uma central combinada de ar medicinal e cirúrgico pode ser dimensionada para a utilização e o consumo combinados dos dois sistemas em condições normais, e a sua capacidade global é normalmente inferior à de sistemas especificados em separado. A capacidade mínima em água dos reservatórios deve ser 50% do débito dos compressores num minuto, e os sistemas com um caudal de projeto acima de 500 L/min devem ter dois reservatórios.
A especificação portuguesa
A ACSS ET 03/2006 (revista em junho de 2024) diz que a seleção e dimensionamento da fonte de ar medicinal devem ter por base a estimativa de consumo do hospital e a frequência prevista de entregas. Para uma central de compressores, pede três unidades compressoras de funcionamento automático, com um caudal por unidade de 100% do caudal nominal, e depósitos dimensionados de forma a obrigar ao máximo de 20 arranques/hora de cada compressor, satisfazendo cada depósito o caudal nominal da instalação.
Capacidades ULTRAAR
As fichas técnicas da Ultra Controlo indicam a capacidade de cada modelo ULTRAAR. Todos os modelos da tabela ULTRAAR ME são conjuntos de três compressores, a começar pelo 3.15/500D, que tem três compressores de 14,4 m³/h a 10 bar. As centrais ULTRAAR ESW são concebidas com 1 a 8 compressores ou noutras configurações, e os reservatórios ULTRAAR SC vão de 0,2 a 6 m³.
Mais perguntas
O ar medicinal dimensiona-se pelo número de tomadas?
Não diretamente. O HTM 02-01 (2026) conta as camas, os postos de tratamento ou as salas em uso, e não as unidades terminais individuais, porque uma posição de cama pode ter mais do que uma unidade terminal.
Acrescentar ar cirúrgico muda a dimensão da central?
Pode mudar. O HTM 02-01 diz que uma central combinada de ar medicinal e cirúrgico pode ser dimensionada para a utilização e o consumo combinados dos dois sistemas em condições normais, e precisa normalmente de menos capacidade do que sistemas separados.
Fontes
- NHS England, HTM 02-01 Medical gas pipeline systems, Parte A (2026), parágrafos 1.27, 4.2, 4.6, 4.80, 4.82 a 4.86, 7.9, 7.43, 7.47, 7.49, Tabelas 7 e 16
- ACSS, ET 03/2006 v.2024 Especificações técnicas para gases medicinais e aspiração em edifícios hospitalares, secções 4.6 e 4.6.1
- Ficha técnica ULTRAAR ME, p. 6
- Ficha técnica ULTRAAR ESW, p. 4
- Ficha técnica ULTRAAR SC, p. 3
Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.