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Redes de gases

Como se dimensiona a tubagem de gases medicinais?

Que dados se usam para dimensionar a tubagem de gases medicinais: caudal, simultaneidade e perda de carga?

Resposta curta

Segundo o HTM 02-01, o guia da NHS England, a tubagem de gases medicinais é dimensionada a partir do caudal simultâneo e não da soma de todas as tomadas: os projetistas fixam um caudal de projeto para cada tomada, aplicam uma fórmula de simultaneidade a cada serviço e escolhem diâmetros que mantenham a perda de carga da fonte à tomada abaixo de 5% da pressão nominal da rede.

Não é possível prever com precisão o caudal na rede, pelo que as orientações de projeto dão regras que se revelaram adequadas na prática, e a OMS observa que cada projeto é específico da unidade de saúde. O método abaixo segue a Parte A do HTM 02-01 (2026), o guia da NHS England; outros países usam as suas próprias referências.

Os dados de entrada

  • Definição dos espaços: cada espaço clínico é classificado no início do projeto, porque o caudal necessário em cada tomada depende do uso do espaço.
  • Caudal de projeto por tomada: a Tabela 2 do HTM 02-01 dá caudais indicativos a atingir em cada unidade terminal.
  • Simultaneidade: a Tabela 3 do HTM 02-01 dá uma fórmula de caudal simultâneo para cada serviço. Os blocos operatórios, por exemplo, baseiam-se em 50 L/min para a primeira sala de operações e 10 L/min para cada uma das outras. Nas fórmulas, n é o número de camas ou de espaços de tratamento em uso, e não o número de tomadas.
  • Onde não se aplica redução por simultaneidade: o HTM 02-01 parte do princípio de que todos os espaços de cama dos cuidados críticos, dos cuidados coronários e das unidades de cuidados intermédios estarão ocupados e precisarão de oxigénio, pelo que Q é de 60 L/min por espaço de cama onde é necessária ventilação de alto débito, ou de 10 L/min por espaço de cama sem ela.
  • Perda de carga admissível: da fonte de abastecimento até à tomada, inclusive, abaixo de 5% da pressão nominal da rede.
  • Traçado: o comprimento de cada troço de tubagem, tirado de desenhos isométricos em tamanho real, que servem para calcular os caudais e as perdas de carga em cada troço.

O método passo a passo

  1. Classificar todas as salas e atribuir o caudal de projeto por tomada.
  2. Calcular o caudal simultâneo de cada enfermaria e serviço.
  3. Selecionar os diâmetros da tubagem de modo que a perda de carga fique dentro do limite, com cálculos de perda de carga a partir de vários pontos, incluindo os mais afastados.
  4. Prever os dispositivos de alto débito: os caudais de CPAP devem ser incluídos no dimensionamento da rede, os anéis de caudal devem ter pelo menos 22 mm, e os anéis nos cuidados críticos com ventilação de alto débito sobem um diâmetro de tubo.
  5. Confirmar na colocação em serviço que cada tomada atinge a pressão especificada ao caudal especificado.

Outras referências

Em Portugal, a observação geral II do anexo da especificação ACSS ET 03/2006 (revista em 2024) pede que seja aplicada uma das referências FD S 90-155, HTM 2022, AS 2896-1998 ou SIS HB 370 para o dimensionamento, com o número confirmado de pontos de utilização e os coeficientes reais de utilização; o HTM 2022 foi entretanto substituído pelo HTM 02-01 (2026), e a secção 16 da mesma especificação indica a AS 2896-2011. A ACSS recomenda também que todas as camas de cuidados intensivos e de observação da urgência possam receber oxigénio de alto débito até 60 L/min, e 20% das camas de internamento. Em França, o FD S90-155 (edição de novembro de 2024, em vigor segundo a AFNOR) dá elementos adicionais para o projeto e a receção das redes de gases medicinais e de vácuo.

Mais perguntas

Porque não somar os caudais de todas as tomadas?

Porque nem todas as tomadas são usadas ao mesmo tempo. O HTM 02-01 usa fórmulas de caudal simultâneo para cada serviço, e não aplica redução por simultaneidade nos cuidados críticos, onde parte do princípio de que todos os espaços de cama estão ocupados.

Que perda de carga é admissível?

O HTM 02-01 (2026) pede diâmetros de tubagem que mantenham a perda de carga abaixo de 5% da pressão nominal da rede, da fonte até à tomada, inclusive.

Fontes

Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.

Revisto: · Engenharia da Ultra Controlo · Versão em Markdown

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