Redes de gases
A que pressões funcionam as redes de gases medicinais?
A que pressões funcionam as redes de oxigénio, ar medicinal, ar cirúrgico, protóxido de azoto e vácuo?
Resposta curta
As pressões das redes de gases medicinais são fixadas a nível nacional: o HTM 02-01 (2026) da NHS England usa 400 kPa nominais para oxigénio, protóxido de azoto e ar medicinal e 700 kPa para ar cirúrgico, a OMS (2023), citando a edição de 2021 da NFPA 99, indica 345 a 380 kPa nas tomadas de parede, e o vácuo funciona abaixo da pressão atmosférica.
Pressões de distribuição em duas especificações nacionais
| Serviço | NHS England, HTM 02-01 (2026) | Portugal, ACSS ET 03/2006 v.2024 (rede secundária) |
|---|---|---|
| Oxigénio | 400 kPa nominais | 480 kPa (+100 kPa) |
| Protóxido de azoto | 400 kPa nominais | 420 kPa (+100 kPa) |
| Oxigénio/protóxido de azoto 50%/50% | 400 kPa nominais | Não indicado |
| Ar medicinal | 400 kPa nominais (MA4) | 450 kPa (±100 kPa) |
| Ar cirúrgico (ferramentas) | 700 kPa, pelo menos 700 kPa na unidade terminal a 350 L/min ou 100 L/min | 800 kPa (+200/-100 kPa) em casos específicos |
| Ar dentário | 600 kPa | Não indicado |
| Dióxido de carbono | Não indicado aqui | 400 kPa (+100 kPa) |
| Vácuo medicinal | Pelo menos 315,5 mmHg de vácuo à frente de cada unidade terminal a 40 L/min | Depressão relativa mínima de 53 kPa na tubagem e de 60 kPa no depósito |
| Evacuação de gases anestésicos | Não indicado aqui | Depressão relativa máxima de 20 kPa na tubagem |
As Foundations of medical oxygen systems da OMS (2023) referem que a NFPA 99, que citam na edição de 2021, recomenda uma pressão de trabalho de 345 a 380 kPa (50 a 55 psi) nas tomadas de parede; a NFPA indica agora a edição de 2027 como a atual. A ACSS portuguesa cita também a ISO 7396-1 para o ar para instrumentos cirúrgicos a 8 bar (+2/-1) e, nas unidades de neonatologia, fixa o ar medicinal a 480 kPa, acima do oxigénio a 450 kPa.
Porque estão os gases a pressões diferentes
A especificação da ACSS recomenda que, nas redes secundárias, a pressão do oxigénio seja superior à do ar medicinal e a deste superior à do protóxido de azoto, idealmente com 0,3 bar de diferença, citando o FD S90-155 francês, para prevenir eventuais refluxos de um gás para outro. Nas unidades de neonatologia inverte a ordem entre o oxigénio e o ar, para evitar uma possível inalação, por parte dos recém-nascidos, de uma mistura de ar medicinal com oxigénio, no caso de avaria da válvula de retenção.
Distribuição em dois andares de pressão e perdas de carga
O gás também pode ser distribuído a uma pressão mais alta e reduzido perto dos serviços. A ACSS usa uma rede primária a 800 kPa (±100) para o oxigénio e o protóxido de azoto e a 900 kPa (±100) para o ar medicinal, com pelo menos dois conjuntos de segunda redução por serviço, em bypass. O HTM 02-01 diz que a pressão máxima de trabalho destes sistemas não deve exceder 1100 kPa, com uma estação de redução de pressão que não deve ser simplex (15.165 a 15.168), e pede diâmetros de tubagem que mantenham a perda de carga entre a fonte e a unidade terminal abaixo de 5% da pressão nominal da rede.
Na fonte
As especificações técnicas provisórias da OMS para centrais de oxigénio PSA, de 2020 (substituídas pelas especificações técnicas da OMS de 31 de dezembro de 2024), pediam uma pressão de saída contínua de 300 a 600 kPa, e o documento Foundations de 2023 indica a mesma gama para a pressão de saída do gás na fonte. As centrais ULTRAOX SC e ULTRAOX ST fornecem oxigénio a 6 bar em todos os modelos das tabelas das suas fichas técnicas (p. 5). Os componentes são dimensionados para valores superiores: o tubo de cobre EN 13348 para pressões de serviço até 2 000 kPa e os conjuntos de mangueiras ISO 5359 até 1 400 kPa.
Mais perguntas
4 bar é o mesmo que 400 kPa?
Sim. 400 kPa equivalem a 4 bar, a pressão nominal que o HTM 02-01 (2026) indica para o oxigénio, o protóxido de azoto e o ar medicinal.
Porque está o ar cirúrgico a uma pressão mais alta do que o ar medicinal?
O HTM 02-01 (2026) nota que as ferramentas cirúrgicas pneumáticas precisam de 600 a 700 kPa e de caudais de 200 a 350 L/min, enquanto o ar medicinal a 400 kPa alimenta ventiladores e outro equipamento respiratório.
Fontes
- HTM 02-01 (2026) Parte A, parágrafos 4.46 a 4.48, 4.79, 4.90, 4.96, 15.164 a 15.168 e Tabelas 2 e 30, NHS England
- ACSS ET 03/2006 v.2024, secções 6 e 7.3 e anexo
- OMS, Foundations of medical oxygen systems (2023), secção 2.9 (pressão nas tomadas segundo a NFPA 99)
- OMS, Technical specifications for PSA oxygen plants (orientação provisória, 2020)
- EN 13348:2016 (DIN Media) e ISO 5359:2014 (ISO), resumos oficiais
- Ficha técnica ULTRAOX SC, p. 5 (tabela de modelos)
- Ficha técnica ULTRAOX ST, p. 5 (tabela de modelos)
- Página do documento NFPA 99 (edição atual 2027)
- OMS, Technical specifications for health facility based medical oxygen systems (31 de dezembro de 2024), nota da especificação das centrais de produção de oxigénio (substitui as especificações provisórias PSA de 2020)
Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.