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Redes de gases

O que é o fator de simultaneidade no projeto de gases medicinais?

O que é um fator de simultaneidade no projeto de redes de gases medicinais?

Resposta curta

Um fator de simultaneidade é a correção que o projeto de redes de gases medicinais aplica por nem todas as tomadas serem usadas ao caudal máximo ao mesmo tempo. Transforma os caudais de projeto das tomadas num caudal simultâneo mais baixo, no qual se baseiam os diâmetros da tubagem.

O HTM 02-01, o guia da NHS England para redes de gases medicinais (edição de 2026), indica que o caudal na rede não pode ser previsto com precisão, mas dá caudais de referência que se revelaram adequados na prática. A tubagem é projetada com base nos caudais simultâneos e na perda de carga admissível entre a fonte e a unidade terminal, com diâmetros escolhidos para manter essa perda abaixo de 5% da pressão nominal da rede.

Como o exprime o HTM 02-01

Cada unidade terminal tem um caudal de projeto, e cada serviço tem uma fórmula para o seu caudal simultâneo Q. Nestas fórmulas, n é o número de camas, postos de tratamento ou salas em que o procedimento se realiza, e não o número de unidades terminais, e nT é o número de salas de operações. Exemplos para o oxigénio:

ServiçoCaudal de projeto por unidade terminal (L/min)Caudal simultâneo Q (L/min)
Salas de operações50Q = 50 + [(nT - 1)10]
Zonas de cuidados intermédios com ventilação de alto caudal60 por posto de camaQ = 60n

Algumas zonas são projetadas sem redução por simultaneidade. O HTM 02-01 assume que todos os postos de cama de cuidados críticos estão ocupados e a usar oxigénio, e calcula Q a 60 L/min por posto de cama, reduzido para 10 L/min quando não é necessária ventilação de alto caudal. Para o vácuo dentário, assume que todas as cadeiras estão em uso nos consultórios com até dez cadeiras e 60% das restantes cadeiras acima de dez, apresenta estes fatores de simultaneidade apenas como orientação e pede que cada instalação seja considerada individualmente.

As linhas de abastecimento são tratadas de outra forma: a tubagem desde a central de abastecimento até ao sistema de distribuição é dimensionada para o caudal de projeto total do sistema mais 25%. O HTM 02-01 nota também que o elevado consumo de oxigénio durante a pandemia de COVID-19 pôs em evidência o risco de deixar sem abastecimento as unidades terminais a jusante de uma carga significativa.

Outros países, outros métodos

As regras de simultaneidade não são internacionais. A observação geral II do anexo da especificação portuguesa ACSS ET 03/2006 (revista em 2024) pede que, para efeito de dimensionamento do sistema de distribuição, seja aplicada uma das seguintes normas: FD S 90-155, HTM 2022, AS 2896-1998 ou SIS HB 370; o HTM 2022 foi entretanto substituído pela edição de 2026 do HTM 02-01, a secção 16 da mesma especificação indica a AS 2896-2011, e o FD S90-155 francês, cuja edição em vigor segundo a AFNOR é de novembro de 2024, é um documento informativo que dá elementos complementares para o projeto e a receção. A ACSS recomenda também que todas as camas de cuidados intensivos e de observação da urgência possam fornecer oxigénio em alto débito até 60 L/min, e que 20% das camas de internamento possam fazer o mesmo.

Mais perguntas

n é o número de tomadas?

Não. Nas fórmulas do HTM 02-01, n é o número de camas, postos de tratamento ou salas em uso, e não o número de unidades terminais, já que em alguns casos se instala mais do que uma.

A simultaneidade aplica-se à linha principal de abastecimento?

O HTM 02-01 dimensiona a linha de abastecimento da central até ao sistema de distribuição para o caudal de projeto total do sistema mais 25% adicionais.

Fontes

Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.

Revisto: · Engenharia da Ultra Controlo · Versão em Markdown

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