Redes de gases
Que ensaio de caudal se faz numa tomada de gases medicinais?
Que ensaio de caudal e de pressão se faz em cada tomada de gases medicinais?
Resposta curta
Segundo o HTM 02-01 (2026), o guia da NHS England, cada unidade terminal deve ser ensaiada quanto à especificidade do gás e à retenção da ficha, e a sua pressão estática e a sua pressão a um caudal prescrito devem ser lidas com uma pistola de ensaio, uma ficha específica do gás e um orifício calibrado; a Tabela 2 dá o caudal de ensaio de cada gás.
Uma tomada de gases medicinais chama-se unidade terminal no HTM 02-01 e na ISO 9170-1. O capítulo 19 do HTM 02-01 Parte A (edição de 2026), publicado pela NHS England, lista os ensaios a que cada unidade terminal deve ser sujeita, registados no formulário B24:
- Especificidade do gás: experimentam-se à vez fichas de ensaio maciças calibradas de cada gás, e só a ficha correta deve entrar no colar e trancar.
- Retenção da ficha e fixações: a ficha tranca e passa um ensaio de tração, e verifica-se se a unidade terminal está bem fixa.
- Concentricidade do colar: o colar move-se livremente na placa frontal, com uma folga não superior a 2 mm.
- Pino antirrotação: a ficha roda livremente numa unidade terminal virada na vertical e não roda numa virada para a frente.
- Fuga no vedante da ficha: não se encontram fugas enquanto a ficha é movida suavemente em todas as direções.
- Pressão estática: a pressão do sistema sem caudal, lida numa pistola de ensaio equipada com uma ficha específica do gás, sem premir o gatilho.
- Pressão sob caudal e caudal: a pressão na unidade terminal sob um caudal prescrito, selecionado montando o orifício calibrado adequado e premindo o gatilho.
- Rotulagem e identificação segundo a BS EN ISO 9170-1, por verificação visual.
Caudais de ensaio na Tabela 2 do HTM 02-01
O caudal de ensaio serve para confirmar que a unidade terminal funciona corretamente e não está obstruída. A Tabela 2 dá valores indicativos:
| Serviço | Local | Pressão nominal | Caudal de ensaio (L/min) |
|---|---|---|---|
| Oxigénio | Conjuntos de sala de operações | 400 kPa | 50 |
| Oxigénio | Unidades de cuidados críticos | 400 kPa | 60 |
| Oxigénio | Todas as outras zonas | 400 kPa | 40 |
| Protóxido de azoto | Todas as zonas, quando especificado | 400 kPa | 40 |
| Mistura de oxigénio/protóxido de azoto | Salas LDRP | 400 kPa | 275 |
| Mistura de oxigénio/protóxido de azoto | Todas as outras zonas | 400 kPa | 40 |
| Ar medicinal | Conjuntos de sala de operações | 400 kPa | 40 |
| Ar medicinal | Zonas de cuidados críticos | 400 kPa | 80 |
| Ar medicinal | Outras zonas | 400 kPa | 40 |
| Ar cirúrgico ou azoto | Salas de operações de ortopedia e neurocirurgia | 700 kPa | 350 |
| Ar cirúrgico ou azoto | Todas as outras zonas | 700 kPa | 100 |
| Vácuo | Todas as zonas | Pelo menos 315,5 mmHg | 40 |
| Dióxido de carbono | Salas de operações e endoscopia, quando especificado | 400 kPa | 20 |
O HTM 02-01 diz que o projeto global da rede deve basear-se numa perda de carga de 5% entre a fonte de abastecimento e a saída da unidade terminal a estes caudais de ensaio.
Ensaio de caudal do sistema após ampliações (formulário B26)
Quando um sistema é ampliado ou alterado, o HTM 02-01 exige também um ensaio de desempenho ao caudal de projeto, registado no formulário B26. Fugas calibradas, marcadas por exemplo a 10, 20, 100 e 275 L/min nos sistemas de 400 kPa e a 350 L/min nos sistemas de 700 kPa, representam o caudal simultâneo total de projeto menos o caudal do dispositivo de ensaio, e ensaia-se depois a pressão e o caudal num número representativo de unidades terminais. Numa enfermaria de 28 camas, a amostra inclui as unidades terminais mais afastadas da AVSU e as mais próximas da entrada, incluindo a sala de tratamentos; num bloco operatório, uma amostra em cada conjunto de sala de operações e 20% das unidades terminais do recobro, com uma unidade terminal de oxigénio ensaiada a 100 L/min para representar a descarga rápida de oxigénio (oxygen flush).
Em serviço
A Parte B do HTM 02-01 (2026) pede que todas as unidades terminais sejam ensaiadas trimestralmente: uma ficha de ensaio verifica a especificidade do gás, o funcionamento mecânico e as fugas, e um instrumento de ensaio verifica o caudal e a perda de carga. As fichas de ensaio servem apenas para os ensaios de fugas; os ensaios de caudal e de perda de carga precisam de um caudalímetro calibrado, de um manómetro e de orifícios calibrados, e o equipamento de ensaio deve ser calibrado pelo menos uma vez por ano. Deve manter-se um registo dos resultados de cada unidade terminal, com as pressões estática e sob caudal, os problemas encontrados e as reparações feitas. Ver com que frequência se ensaiam as tomadas.
No Canadá
Um manual de formação de 2025 da Colúmbia Britânica (SkilledTradesBC) descreve os ensaios de inspeção da norma canadiana, citando a CSA Z7396.1-12 (o CSA Group indica agora a CSA Z7396.1:22 como a edição mais recente). Cada unidade terminal é ensaiada quanto à resistência ao escoamento: um conjunto de ensaio com um orifício de regulação de caudal de 1,98 mm mede a pressão estática e depois a pressão sob caudal, e a perda de carga na unidade terminal e no seu conector de entrada não deve exceder 70 kPa para o azoto, 30 kPa para os outros gases medicinais e 13 kPa para o vácuo medicinal. Durante a verificação da identidade do gás, a pressão em cada unidade terminal é registada a um caudal de 15 a 25 L/min e tem de ser igual à pressão estática.
Mais perguntas
Com que frequência se ensaia o caudal das tomadas em serviço?
O HTM 02-01 (2026) Parte B pede que todas as unidades terminais sejam ensaiadas trimestralmente, incluindo um ensaio de caudal e de perda de carga com um instrumento de ensaio calibrado.
Pode usar-se uma ficha de ensaio no ensaio de caudal?
Não. O HTM 02-01 (2026) diz que as fichas de ensaio só devem ser usadas nos ensaios de fugas; os ensaios de caudal e de perda de carga precisam de um caudalímetro calibrado, de um manómetro e de orifícios calibrados.
Fontes
- HTM 02-01 (2026) Parte A, parágrafos 4.2, 4.3, 4.7, 19.71, 19.271, 19.272 e 19.276 a 19.281, Tabela 2, NHS England
- HTM 02-01 (2026) Parte B, parágrafos 11.70, 11.72, 11.103 e 11.213, NHS England
- SkilledTradesBC, Plumbing Block A: Medical Gas Systems, Competency A2, Learning Task 1 (manual aberto, 2025)
- CSA Group, CSA Z7396.1:22 (edição mais recente)
Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.
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