Redes de gases
Como se adapta uma rede de oxigénio ao consumo de reforço em UCI?
Como se pode reforçar a rede de oxigénio de um hospital existente quando há enfermarias convertidas para alto fluxo ou para UCI durante um pico de consumo?
Resposta curta
Segundo o HTM 02-01 (2026), o guia da NHS England, as zonas concebidas para CPAP, BiPAP ou ventilação não invasiva podem ter os seus anéis de caudal completos reforçados, normalmente com um diâmetro de tubo acima; esta é a solução preferida, e uma rede dedicada não é recomendada porque pode causar problemas de regulação e de caudal.
O que a COVID-19 mostrou
A edição de 2026 do HTM 02-01 explica que, embora o abastecimento de oxigénio a granel tenha sido em geral suficiente durante a pandemia, o fator limitante foi muitas vezes a capacidade da rede para fornecer aos doentes o caudal necessário, e que as terapias modernas e a concentração de doentes de cuidados intermédios expuseram limitações na capacidade e na configuração das redes. Refere que a utilização de alto caudal arriscava deixar sem caudal as unidades terminais a jusante de uma carga significativa, e dá mais ênfase ao projeto para o consumo de pico e de reforço. A especificação portuguesa ACSS ET 03/2006 (revista em 2024) refere que, face aos constrangimentos identificados durante a pandemia de Covid-19, se verificou alguma dificuldade na disponibilização de oxigénio para terapias que requeiram alto fluxo, como o oxigénio nasal de alto fluxo, tendo em conta que os sistemas existentes não tinham sido projetados para este fim, e que, de acordo com o feedback recebido de várias entidades hospitalares, os altos fluxos poderão variar entre 15 e 60 L/min.
Verificar primeiro a rede existente
- Recalcular: o HTM 02-01 Parte B pede um processo de projeto baseado no risco sempre que se fazem acrescentos ou alterações, com o caudal de projeto e a perda de carga verificados e recalculados para não haver estrangulamentos. Num hospital em pleno funcionamento, é prática corrente fazer os cálculos a partir de vários locais, incluindo os percursos principais da tubagem, as zonas de alto caudal, as salas de operações e os pontos mais afastados.
- Base de projeto: o projeto global da rede baseia-se numa perda de carga de 5% entre a fonte e a saída da unidade terminal, aos caudais de ensaio especificados, e a Tabela 2 dá às unidades terminais de oxigénio um caudal de projeto de 60 L/min nas unidades de cuidados críticos, contra 10 L/min em todas as outras zonas.
- Sistemas mais antigos: a capacidade insuficiente pode impedir o funcionamento seguro aos caudais atuais; é exigida uma avaliação de risco e cálculos de caudal antes da obra, e os estrangulamentos encontrados são corrigidos antes de o projeto terminar.
- Utilizadores: os procedimentos do hospital devem dar a conhecer aos utilizadores a capacidade e os limites do sistema; o HTM 02-01 refere que a adoção do CPAP pode aumentar muito o consumo de oxigénio.
Opções de reforço
| Fonte | Opção |
|---|---|
| HTM 02-01 Parte A, parágrafos 4.10 a 4.12 | Nas zonas concebidas para CPAP, BiPAP ou ventilação não invasiva: reforçar os anéis de caudal completos para os caudais mais altos, normalmente aumentando o tubo um diâmetro, ou instalar redes dedicadas. O HTM 02-01 não recomenda a opção dedicada (as unidades terminais dedicadas de alto caudal podem causar confusão numa emergência, e uma rede dedicada pode causar problemas de regulação e de caudal); a solução preferida é aumentar o diâmetro do tubo do anel de caudal. |
| HTM 02-01 Parte A, parágrafo 4.8 | Configurações em escada e redes em anel na distribuição, e anéis de caudal nas enfermarias e serviços, para maior resiliência. |
| ACSS ET 03/2006 (v.2024), secção 6.7 | Uma rede dedicada, com ligação direta do coletor, ou em anel, para os serviços de unidade de cuidados intensivos (UCI) e urgência (SO); conjuntos de redução de pressão aplicados o mais próximo possível dos locais onde será disponibilizado o oxigénio. A ACSS recomenda que todas as camas de UCI e de urgência (SO) possam realizar uma utilização em alto débito, permitindo fornecer oxigénio até 60 L/min, e que, no internamento, 20% das camas permitam a utilização de oxigénio nos mesmos moldes. |
Do lado do abastecimento
O HTM 02-01 refere que os vaporizadores de uma instalação de oxigénio líquido (VIE) podem ganhar gelo quando o consumo é elevado ou contínuo, e indica opções como vaporizadores adicionais, inversão automática entre vaporizadores, descongelação automática e vaporizadores maiores. Cada kit de alimentação inversa (backfeed) para abastecimento de emergência deve ser objeto de uma avaliação de risco face às necessidades de caudal e de duração do serviço, considerando cenários de alto caudal, em que o gelo nos reguladores e nas mangueiras pode causar falhas de abastecimento. Para o efeito do oxigénio de alto fluxo na própria central, ver como o oxigénio de alto fluxo altera o consumo; para fazer as obras num hospital em funcionamento, ver ampliar uma rede num hospital em funcionamento.
Mais perguntas
Um reservatório de oxigénio maior chega para um pico de consumo?
Não necessariamente. O HTM 02-01 (2026) refere que, durante a COVID-19, o abastecimento a granel foi em geral suficiente e o fator limitante foi muitas vezes a capacidade da rede para fornecer aos doentes o caudal necessário.
Quantas camas de internamento devem permitir oxigénio de alto fluxo?
A ACSS ET 03/2006 (v.2024) recomenda que 20% das camas de internamento, e todas as camas de cuidados intensivos e de urgência (SO), possam receber até 60 L/min.
Fontes
- NHS England, HTM 02-01 Medical gas pipeline systems, Parte A (2026), Context, parágrafos 4.7, 4.8, 4.10 a 4.12, 4.41, 6.41 e 15.16, Tabela 2
- NHS England, HTM 02-01 Medical gas pipeline systems, Parte B (2026), parágrafos 6.20, 6.21, 6.64, 6.65 e 10.10
- ACSS, ET 03/2006 v.2024 Gases medicinais e aspiração, secção 6.7
Os números da Ultra Controlo vêm das suas fichas técnicas. Os factos de terceiros foram lidos na fonte na data indicada.